terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Breve Reflexão Sobre o Silêncio

Escrito em um papel de embalagem qualquer, em um momento sobre a grama e debaixo das belas árvores de Brasília, DF.

O Silêncio conforta aquele que sempre foi seu companheiro. Nos leva a perceber que, por mais intensa que seja a solidão e por mais que tenhamos perdidos a nós mesmos, ainda há algo a nos acompanhar.
Quão belo e quão benéfico pode ser o Silêncio. Consequência dele é entrarmos em um diálogo introspectivo com outras facetas de nós mesmos. Causa dele é percebermos as coisas como ninguém percebe. Os detalhes sutis que estão diante de nossos olhos.
O som de nosso próprio coração se torna bem audível e em consequência disso, entre um batimento e outro, entre os pensamentos que nos passam à cabeça, surge a pergunta: "Por quê estou vivo?"
Acredito que responder com convicção esta pergunta é estar pronto para enfrentar a vida e os desafios propostos por ela.
Enquanto busco, usando-me do Silêncio como conselheiro, a resposta dessa pergunta, luto com dragões, empunhando apenas a minha coragem.

As Memórias Póstumas de um Poeta Vivo

É intrigante, confusa e incorreta a utilização do título supracitado (segundo as regras de semântica da língua culta). Memórias após a morte? De alguém que ainda está vivo? Isso soa sem lógica. Mas, assim são os sentimentos que sentimos e por vezes traduzimos em poesias, músicas, pinturas e etc. Onde achar lógica no amor? Ou na tristeza profunda? De onde surgem tais sentimentos, que fazem o homem produzir o que há de mais sublime nas artes? São ilógicos.
Não há racionalidade no poeta que escreve o que sente. Há o sentir. Há algo maior que o próprio poeta, maior que sua capacidade de escrever. Como costumo dizer: "A inspiração é a peça fundamental de qualquer poesia, é maior que o poeta, é maior que as palavras." O poeta não têm importância alguma, se comparado à inspiração. É uma mera ferramenta de expressão desta. E o que é a inspiração? Essa pergunta não pode ser respondida objetivamente, pois casos são casos e se diferenciam entre si. Mas há algo entre a inspiração e o poeta que é a ligação entre o Mundo ideal, inspirativo e o Mundo palpável das palavras: Os Sentimentos. Estes que fazem o poeta escrever. Porém, muitos se deparam com um grande problema: "Como expressar algo inexpressável?" e ainda, "Como descrever com palavras, ferramenta tão limitada, o que não pode ser descrito pela imensidão de sua beleza e tamanho?". Nesse ponto é que descobrimos como escrever uma poesia e como entendê-la. Como? Nos elevando até elas. Nossa perspectiva realista é absolutamente limitada, quando comparada ao idealismo poético. Como enxergar através do muro se não olharmos por cima dele? Esse é o ponto. As palavras vão se tornar apenas um caminho a ser seguido, um caminho que nos leva ao real significado daqueles sentimentos. Não entenderemos uma poesia se não a vivermos. Temos que sentir. E parar de sentir. Nos desapegar do real, não que ele não seja importante, ele é, pois serve de base para o que escrevemos, mas também é limitado e nos limita a enxergar as coisas de perspectivas diferentes. Daí um dos motivos que muitos poetas surgem quando estão tristes. A tristeza nos faz olhar o Mundo por outro ângulo. Nos faz prestar atenção nas coisas mínimas e em suas poéticas formas de existir. Também quando estamos apaixonados, onde enxergamos um Mundo mais colorido, mais vivo e dinâmico. As folhas se tornam mais verdes e o céu mais azul e isso não é clichê! De fato passamos a enxergar as coisas de acordo com os sentimentos que nos surgem. E dessa forma a inspiração pode se tornar qualquer coisa, desde o balançar de folhas em uma árvore, ao brilho das estrelas. Desde o canto dos passarinhos até o sorriso da pessoa amada. Depende de como as coisas incitam nossos sentimentos.
Em suma, poesia é sentir. Sinta, reflita e sinta novamente. Eleve-se ao Mundo dos sentimentos e serás um poeta. Não por métrica ou sistemas padronizados de se escrever poemas, mas por poder ver além do muro, por cima dele. Entender não é o mais importante, sentir o é. Entender poderá ser consequência do sentir. Ou não. Sinta, eleve-se. Sinta e verá que o título do texto e do blog não se mostrará tão sem lógica. Leia o que escrevo e sentirás o sentido desse título. Sou um poeta vivo, que escreve memórias concebidas após sua morte.

Sejam Bem Vindos!